criança de aproximadamente cinco anos, tomando um banho de chuva coberta por sua capa de chuva amarela, no por do sol, bastante alegre com as gotas batendo sobre seu rosto.

Você confia no seu filho? Já parou para pensar por quê?

Sempre fico refletindo quando escuto alguém falar que a criança precisa ganhar a confiança do adulto. Às vezes, as pessoas falam assim com as crianças: “deixa eu ver se posso confiar em você”, ou “não posso confiar em você”.

Por que levamos a nossa relação com a criança para esse lugar de falta de confiança? É como se ela nascesse e, a partir desse momento, estivesse em débito conosco, até que se prove o contrário. Estamos sempre desconfiando das nossas crianças. Não é uma loucura?

Seus pais ou responsáveis confiavam em você na sua infância?

Sei que, às vezes, fazemos isso de forma inconsciente. Talvez você nunca tenha pensado sobre isso. Penso que, simplesmente, repetimos um padrão de coisas que ouvimos e passamos ao longo da vida. Essa fala “não posso confiar em você porque você não cumpre com os nossos combinados” nada mais é do que uma repetição de padrão.

O lugar da confiança é muito sério e profundo, então, qual deveria ser o fundamento? Que a gente pudesse confiar, em primeiro lugar. Podemos confiar na vida, mas como muitos de nós viemos de sistemas familiares em que não podíamos confiar no nosso entorno, nas nossas figuras de apego, nos cuidadores, responsáveis por nós, também acabamos não confiando na vida.

Como viemos de estruturas familiares em que não era possível confiar, não confiamos em nossos filhos, e passamos isso para eles. 

A confiança fundamental na vida é reflexo da nossa confiança enquanto crianças 

Se eu tenho adultos de confiança, confio na vida. Os adultos me mostram como é o mundo: o mundo é bom, seguro e confiável? Ou o mundo é ruim, difícil e punitivo? Quando falamos para as crianças que precisam conquistar nossa confiança, estamos jogando nossa desconfiança nelas e colocando, sobre elas, algo que deveria ser básico em nós e para nós.

Nossos filhos não precisam conquistar nossa confiança 

O que nossos filhos precisam saber é que a gente confia neles incondicionalmente e os vê de forma confiável, desde sempre. Não existe a possibilidade de desconfiar deles. Não desenvolvemos desconfiança neles por causa da atitude deles, nem dos comportamentos desafiadores. 

O que estou dizendo pode parecer duro, pode chegar para você com uma certa estranheza, mas, vamos assumir para nós? A nossa desconfiança não é da criança; a insegurança é toda nossa.

Estamos cheios de medo, de vontade de usar o poder que não foi nos dado lá na nossa infância. Quando olhamos para a vida de forma a confiar na vida, olhamos para as crianças com confiança; refletimos confiança na vida, no mundo, no universo e até em nós mesmos. 

A confiança é uma ilusão? Ela nos torna fracos?

Talvez, você me questione: “mas, Mari, não podemos confiar em todo mundo e nem na vida; a vida não é tão linda assim! Isso é utópico”.

Minha resposta é: “podemos escolher como enxergar a vida; temos esse poder, que nos foi dado. Podemos enxergar a vida como confiável e boa, apesar dos desafios”.

É uma escolha, uma postura assumida diante da vida, que vai refletir em vários aspectos, como financeiro, profissional, de relacionamento, e, principalmente, na relação com os nossos filhos.

E é por isso que estou trazendo essa reflexão para você hoje. Espero que tenha gostado. 

Um beijo e até a próxima!

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Foto de  Dra. Mariana Lacerda

Dra. Mariana Lacerda

Terapeuta ocupacional, Mestre em Ciências da Reabilitação e Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFMG.

Uma abordagem baseada em afeto e respeito para transformar a educação de crianças e jovens.

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