bebe chorando no colo da mãe

Choro da criança: o que fazer?

Eu quero falar um pouquinho com você sobre o choro. Isso mesmo. O choro da criança é uma das coisas que mais mexe com os pais, não é verdade? Por que será que o choro de criança mexe tanto com a gente? Por que será que, quando uma criança chora, ficamos completamente desnorteados, até sem saber o que fazer?

Quando eu vou falar de choro, gosto de pensar na nossa história de choro na infância, sobre como nosso choro foi acolhido e sobre como nós somos tratados em relação a essa atitude.

A gente poderia dizer que a sociedade como um todo — e não apenas “os nossos pais”, mas, todas as gerações anteriores — nunca soube muito bem acolher um choro, não é verdade?

Estigma do choro: a visão deturpada de algo natural

Todos nós já ouvimos coisas pesadas sobre o choro, como “você não pode chorar”, “engole o choro”, “joga o choro fora”, “você está chorando à toa”, isso independentemente de ser menino ou menina, homem ou mulher.

Os homens talvez tenham escutado mais, porque a sociedade insiste em dizer que “menino não chora”, “homem não chora”, “você é forte”, “você não precisa chorar”, e tudo isso penetra o íntimo, a nossa mente, o nosso coração, e criam-se crenças sobre essa emoção tão importante.

Eu costumo brincar assim: “se a gente não pudesse chorar, porque que Deus, então, teria criado as glândulas lacrimais, não é?”. Se a gente tem no nosso corpo algo que é ativado, que está ali para expressar essa emoção, por que que não expressar?

Qual é o primeiro passo para mudar a visão sobre o choro da criança?

A primeira coisa que eu acho necessário para lidar melhor com o choro dos nossos filhos é refletir: “como eu fui tratado no meu choro?”. Se eu fui tratado de maneira reprimida, em que eu não pude chorar, demonstrar essa emoção, quando o meu filho chora, isso vai ser ativado em mim.

Toda a angústia, a repressão e os momentos em que fui silenciado, em que não tive voz por meio do meu choro, virão à tona, e eu vou sentir mais uma vez essa dor, e pode ser que eu não consiga acolher o meu filho nesse momento, porque eu ainda estou tentando acolher a minha criança interior; o eu pequeno ouvindo que eu não podia chorar, ouvindo para calar o choro, para jogar o choro fora.

Por isso, é importante termos consciência sobre nós mesmos, sobre nossa história de infância em relação ao choro. Se eu fui bem acolhido no meu choro, vou ter uma tendência maior a fazer um acolhimento também com o meu filho ou com minha filha, porque eu fui acolhido, então eu vou entender melhor esse mecanismo de acolhimento.

O acolhimento e o choro da criança: qual é a relação?

Tudo passa pelo acolhimento. Não precisamos dizer para as crianças que elas não precisam chorar ou que elas são fortes. Podemos, simplesmente, deixar esse sentimento vir à tona e demonstrar presença, empatia, colaboração, que queremos dar as mãos para eles.

A criança começou a chorar? Falar coisas como “olha eu sei o que você está sentindo, talvez você esteja chateado, com raiva, triste, frustrado, eu também já me senti assim”. Várias vezes afirmo, repito e dou ênfase sobre a validação dos sentimentos, porque validar o sentimento de uma criança é se humanizar pra ela.

A gente se colocar no mesmo lugar ao dizer dizer: “olha eu também sou humano, isso que você está sentindo é humano e eu também sou assim, eu te entendo e te acolho”. Quando uma criança está chorando, podemos dizer: “o que eu posso fazer para te ajudar a se sentir melhor?” ou “como você gostaria de se sentir melhor nesse momento?”.

Mesmo que você tenha um filho pequeno e que ele não saiba te responder, falar isso pra ele mostra que você está disposto a encontrar formas de fazê-lo se sentir melhor naquele momento.

Coloque-se no lugar da criança

Imagina quando você, adulto, quer chorar, está chateado, querendo um colo, um abraço… Muitas vezes a gente nem quer que a pessoa fique falando tantas coisas, ou às vezes quer, mas, a gente precisa mesmo se sentir acolhido — e a criança também, mas às vezes invalidamos isso.

Quando uma criança cai e se machuca, por vezes falamos “não foi nada não”, mas pode acontecer de realmente ter se machucado, e tudo bem sentir isso. Então é importante observar as nossas reações e o quanto dentro dessas reações estamos repetindo antigos padrões e repetindo o que foi feito de maneira não empática, de maneira não acolhedora.

Também observe, claro, quando você repetir acolhimento e empatia, porque costumamos não dar atenção aos nossos acertos. Meu convite de hoje é que você, pai, e você, mãe, observe como estão suas reações diante do choro do seu filho e busque acolher e trazer empatia nesses momento com ele.

Fez sentido para você? Deixe aqui seu comentário.

Com amor, Mari.

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Foto de  Dra. Mariana Lacerda

Dra. Mariana Lacerda

Terapeuta ocupacional, Mestre em Ciências da Reabilitação e Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFMG.

Uma abordagem baseada em afeto e respeito para transformar a educação de crianças e jovens.

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