Foto do olhar de uma criança

Meu filho está agressivo: o que fazer?

Para nós adultos, um dos desafios mais complicados na criação da criança é quando ela reage batendo, gritando, dando tapas, empurrando, chutando ou qualquer outro tipo de reação agressiva nesse sentido.

Na hora é praticamente impossível não sentir nada. Nos sentimos atacados, desmerecidos, desvalorizados. É desafiador não levar para o lado pessoal e não se sentir um péssimo pai ou mãe quando isso acontece (se for em público então, nem se fala!).

A primeira estratégia que eu sugiro seguir para lidar com essa situação de maneira positiva, para pelo menos tentar não levar para o lado pessoal, é entender esses comportamentos sob a perspectiva do DESENVOLVIMENTO INFANTIL.

Acredito que se nos afastarmos da situação e não entendermos esse comportamento agressivo como um ataque pessoal, mas como algo que faz parte de processos físicos, cognitivos, de linguagem e emocionais, a coisa fica um pouco mais leve e começamos a dar passos em direção a maneiras de lidar com tudo isso de forma saudável, sem perder o respeito por nós mesmos e pela criança.

Quando somos crianças pequenas nossas emoções são puras, inteiras.

Se temos raiva, temos raiva e praticamente somos a raiva. Ela está ali intensa, real, verdadeira. Ainda não existe a moral (que só surge por volta dos 5 – 6 anos) para nos barrar e ainda não temos controle sobre as nossas emoções. Tudo que desejamos é colocar para fora esse turbilhão de sentimentos pois não sabemos o que exatamente fazer com eles. Precisamos de continente, de apoio e de empatia. Precisamos ter espaço para expor nossa vulnerabilidade, porque assim, teremos a oportunidade de nos conhecer melhor e de conhecer os adultos.

Tendo consciência disso e sobre o que acontece quando a criança está usando o seu cérebro primitivo, nós adultos temos a oportunidade de olhar para a situação com mais clareza.

Depois de ampliar nosso conhecimento sobre essas etapas, subimos o próximo degrau: a EMPATIA! Esse degrau não significa se colocar no lugar do outro, mas sim assumir que tanto as crianças quanto nós adultos temos necessidades de expor nossos sentimentos, que tanto as crianças quanto nós adultos temos a necessidade de nos sentir aceitos, amados e importantes, que tanto as crianças quanto nós adultos temos necessidades por trás dos nossos comportamentos. Isso é ter empatia. Assumir que compartilhamos as mesmas necessidades.

Depois de subir então esse degrau, bora para o próximo? O próximo degrau é se perguntar e buscar respostas para:

  • Quais são as necessidades por trás desse comportamento da minha criança? 
  • O que ela está tentando me dizer? 
  • O que ela está sentindo mas não está conseguindo verbalizar?

Quando subimos esse degrau algo especial acontece: descobrimos que a criança não está tendo reações “atoa”. Sempre vai ter um motivo. Mas só conseguimos olhar para o motivo quando usamos nossa empatia, sem ela, vamos continuar achando que foi “atoa”.

O último degrau é onde a gente se pergunta: o que eu posso fazer para responder à essas necessidades que descobri que minha criança está tendo? Como posso ajudar nesse momento?

Esse degrau é desafiador porque ele nos faz sair daquele lugar que estamos acostumados a ficar, no qual normalmente nos perguntamos: “o que vou fazer agora COM essa criança?” Saímos desse lugar para outro pouco conhecido e mais positivo no qual a pergunta fica diferente: “o que eu vou fazer agora PARA essa criança?”

A resposta pode vir de várias formas: um diálogo, um abraço, uma distração, o silêncio, um afago, um exemplo de carinho…a resposta vai vir de acordo com o seu coração e de acordo com a sua criança.

Talvez você tenha começado a ler esse texto pensando em respostas e eu tenha trazido mais perguntas. Disciplina PositivaCriação com ApegoComunicação Não-Violenta, tudo isso se dá através de consciência e de perguntas. Porque perguntar faz a gente sair das respostas prontas e automáticas.

Para finalizar, trago uma lembrança…Nós somos os principais modelos das crianças.

Se desejamos que elas tenham autocontrole, precisamos buscar o nosso. Se desejamos que elas nos respeitem, precisamos respeitá-las, se desejamos que elas saibam lidar com suas emoções, precisamos buscar lidar com as nossas.

​Espero que tenha gostado.

Com amor,
Mari.

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Foto de  Dra. Mariana Lacerda

Dra. Mariana Lacerda

Terapeuta ocupacional, Mestre em Ciências da Reabilitação e Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFMG.

Uma abordagem baseada em afeto e respeito para transformar a educação de crianças e jovens.

Aprenda como lidar com as explosões emocionais das crianças de forma respeitosa e eficaz.

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